Bachelariando sobre o barro…

Porque deveria ser proibido esses domingos ensopados pela chuva e, por dentro, tanto frio sem esperança de alguma nódoa de sol. Deveria ser proibido mãos que não alcançam um pedaço de argila e um punhado de água pra amolecer a dureza que têm as ausências, as carências, o concreto de alguns corações.
Deveria ser proibido no meio da dor, só a lembrança das ondas que explodiram pra promover um beijo: era a maior doação da natureza pra afagar olhares que procuram e procuram_ e que olham para os lados sem ver o que ao lado está. (Que nem Clarice explicou em “ Por não estarem distraídos”).
Minhas mãos em concha seguram tantos gritos, líquidos.Mas tenho medo de acordar os que se estabeleceram uma rotina sem qualquer possibilidade de desconfortos fora dos calculados.

(É quando a magia ganha a obrigação de ser um amparo alheio).
Eu andei pensando sobre o barro, sobre o amor, sobre vestidos que viram saias e saias que viram blusas. Eu andei pensando que, às vezes, a gente gostaria de enfiar a pessoa que a gente ama dentro daquela gaveta arrumada pra só saber dela quando abrisse o guarda-roupa no auge da vontade de se enfeitar de sentimento.
Andei pensando nesse coração de argila que se molda de artérias entupidas pelo amor.
(ainda é preciso esperar que seque rápido e torcer para que não tenha sido feito frágil demais.)

Eu andei pensando nesse movimento de mãos que se vestem de areia, que fazem círculos enquanto contam sobre o eterno retorno do mesmo. Sobre a lucidez da loucura.
Você espera que a terra te dê chão? A terra, sem a água, sem o ar, sem o fogo, só pode te dar a impossibilidade de vôos, às vezes.
Talvez estejamos tentando fazer barro com areia e água salgada. Mas o barro quer da gente é doçura.
Andei pensando nessas esculturas de sal.Isso não pode ser a nossa obra-prima.
O amor não pode ser engessado. Ele não pode ser estático.Amor não pode ser chão de ninguém.Amor nasceu para dar asas.

Quando você me contou que havia um abismo no seu peito, um buraco no seu coração, eu tentei visualizar abismos e buracos…E vi muito coração dentro deles.
(Um outro ângulo.)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: