EXISTE PRAZER NA SUPERFICIALIDADE?

“Eu fico completamente baratinado quando começam a me perguntar o que vai ser, o que vai acontecer com tal coisa. Sei lá, eu não sei onde é que eu vou estar amanhã. Eu sei o quê que eu tô fazendo hoje, agora, o resto não interessa.” ~ Caio Fernando Abreu  ~
 

“…Eu estava tentando parar de sentir. Estranho né!? Mas nos últimos tempos senti muita coisa e acho até que exagerei na dose.

Andei por aí para me distrair ou para distrair meu coração. Hoje parei um pouco e voltei a pensar. Mas pela primeira vez tenho a impressão de que não quero fazer isso. Corro o risco de voltar a sentir e não quero. Não agora e não as mesmas coisas, pelos mesmos motivos.

De qualquer maneira ando descobrindo alguns prazeres na superficialidade. E eles existem sim.

Nunca acreditei muito nessa história de sair por aí para esquecer alguma dor. Sempre acreditei que viver o sofrimento é importante para resolvê-lo bem e logo. Mas ficou difícil demais fazer isso. Novidade para mim.

De fato não dá muito para fugir de sentimento. Em algum momento, no meio da noite, vem na cabeça o que anda te incomodando, você perde o sorriso por alguns instantes, mas logo te distraem com algum comentário engraçado ou você vê algo que te tira o foco do sofrimento. Este é o barato, não é preciso grandes explosões para fazer você se sentir melhor. Coisas absolutamente superficiais podem ajudar e muito.

Faz diferença sim buscar outras informações, outras pessoas, outros bons momentos que aliviam a saudade, a falta, e a dificuldade de aceitar algumas coisas. Sair para não pensar, para não inventar mais paranóias, para estar na vida.

Sair para ver gente, falar besteira, rir sem muitos motivos, beber e se deixar levar pela superficialidade das pessoas e simplesmente viver alguns momentos.

A falta de expectativa talvez seja o melhor de tudo isso. O seu projeto é ficar bem e não viver de fato algo significativo.

Eu tenho essa mania de sentir. Sou sentimental demais e acho que a vida fica mais colorida desse jeito. Não dá para negar que ando vendo cores sem vida, mas ainda sim são cores.

Passei a acreditar que existe sim prazer na superficialidade, mesmo que frágil, mesmo que por apenas um breve momento”.

 

extraído de: manhasemanhas.blogspot.com

3 comentários a “EXISTE PRAZER NA SUPERFICIALIDADE?

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