Piedade

 

Cansei de te apregoar em palavras. Minha sintonia agora quer pregos. É o ato Cristo em alta voltagem a castigar a inquisição da piedade. Tentei guiar-te em imaginações nada reflexivas e, por um lado, sucumbir tua espirituosa sensação de poder. Quem és tu para eleger-me como ato da tua compaixão? Eu que te tenho ou tu és quem me tens? Duas boas perguntas para um zero de resposta.

 Logo tu tão vaidosa e preparada, atirou-se ao ato fraco e fez-se carente. Justo para mim? Não contava com minha ironia vingativa, nem com a minha encarnação ao marceneiro. Por ele eu descubro quantos pregos ainda te prendem. Aconselho não confiar no que te digo muito menos no que escrevo e dou fé. Sou ambíguo, lembre-se, e nem por isso defino-me como vilão ou mocinho. Não mesmo!

 Se te quero livre é para sentir tua mão nua a tocar-me. Teu dedilhar no instrumento que ainda grita e nem quer mais teu beijo insano. Entenda: não quero machucar-te, mas também não quero ver-te livre por aí. Sinta por mim os limites do que eu mereço. No fim sou eu quem decide tua prisão. Os pregos, do dó, ficam por minha conta. Eu quem tenho piedade de ti, senhora piedade!

 Rodolfo Lima

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